sexta-feira, 19 de março de 2010

Diretor do BC quer índice para preço de imóveis

Cotado para suceder Henrique Meirelles no comando do Banco Central (BC), o diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini, defendeu nesta sexta-feira (19) a necessidade de criação de um índice de preços de imóveis (casas, terrenos, etc). Atualmente, só existem índices que medem custos da construção dos imóveis e não da variação do preços das casas, prédios e terrenos. O novo índice, segundo Tombini, seria usado pelo BC no monitoramento do setor, que vem crescendo de forma expressiva no País, ajudando a evitar riscos para o sistema financeiro.

"Há uma necessidade de termos um indicador de preços confiável, robusto e com bastante abrangência. Não só para o mercado definir estratégias e mensurar riscos, mas também para o monitoramento do regulador e por parte das próprias instituições financeiras. Precisamos avançar nisso, tendo em vista as perspectivas para o segmento de crédito imobiliário", disse o diretor do BC.

Segundo Tombini, que participou do encerramento da 2ª Conferência Internacional de Crédito Imobiliário, essa é uma agenda de "curto prazo", mas cuja discussão ainda está no início. Ele explicou que esse novo índice não deverá ser elaborado pelo BC, mas por uma entidade como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ao demonstrar interesse em criar um índice de preços de imóveis, Tombini evidencia a preocupação do BC em evitar problemas de bolhas no setor imobiliário, como as que levaram à crise internacional a partir do final de 2008. A chamada crise do subprime teve como um dos seus elementos principais a contínua e forte elevação dos preços dos imóveis residenciais nos Estados Unidos. Esse processo de inflação no mercado imobiliário americano alimentava o forte crescimento do crédito naquele País e a criação de instrumentos financeiros arriscados, os chamados ativos tóxicos.

Quando a bolha estourou e os preços dos imóveis começaram a cair, o sistema de garantias desses créditos ruiu, levando à pior crise econômica mundial em 80 anos. Depois dessa crise, cada vez mais se discute o papel dos bancos centrais não só como guardiães da moeda, mas também como responsáveis por evitar "bolhas de ativos", como imóveis, que podem afetar toda a economia. A proposta de Tombini deve ser lida dentro desse contexto.

Segundo o diretor do BC, o crédito imobiliário no Brasil vai crescer mais que outras modalidades nos próximos anos, liderando a expansão do crédito no Brasil. "E para que esse crescimento se dê em bases sustentáveis é importante ter informações confiáveis para desenho das políticas", disse.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, alertou, em videoconferência gravada para o mesmo evento, que é preciso cuidar para que não sejam criados "mecanismos artificiais" de geração de fontes de financiamento (funding), diante do desafio do setor de avançar em opções alternativas à poupança para o financiamento imobiliário.

Segundo ele, nessa fase de crescimento é mais importante ainda que as regras prudenciais sejam seguidas pelas instituições financeiras. "O BC está atento e sempre trabalhará em normas prudenciais. Mas é importante que as pessoas, agentes, estejam bastante alertas. A experiência mostra que problemas surgem na euforia", disse Meirelles, explicando que essas dificuldades surgem da falsa percepção de que, durante o crescimento, não há riscos. "Em períodos de crescimento é particularmente importante que as normas para concessão de crédito sejam seguidas". O presidente do BC também ressaltou a importância da estabilidade para o desenvolvimento do setor imobiliário.

Fonte: Jornal do Comércio

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