Com o aumento das tarifas sobre mais de 100 produtos norte-americanos, nesta segunda-feira (8), o Brasil se arrisca a criar uma "guerra comercial contra os Estados Unidos sobre os subsídios do algodão, depois de oito anos de litígios na Organização Mundial do Comércio (OMC)", afirmou, em matéria nesta terça-feira (9), o jornal norte-americano Financial Times.
De acordo com o texto, a decisão, que entra em vigor no mês que vem, iniciou um período de 30 dias de negociação, durante o qual oficiais dos dois países buscam encontrar uma solução para a disputa. "Estamos desapontados por saber que as autoridades brasileiras decidiram implementar medidas de retaliação contra o comércio dos Estados Unidos na disputa em torno do algodão no âmbito da OMC. O representante comercial dos Estados Unidos tem trabalhado no sentido de encontrar uma solução para essas questões sem que o Brasil recorresse a retaliações, e nós continuamos a preferir uma solução negociada", afirmou o gabinete do representante comercial dos Estados Unidos, em Washington, à matéria.
O jornal norte-americano ainda traz a afirmação de Jon Huenemann, assessor do escritório de advocacia Miller & Chevalier, que diz que "A única forma de evitar que isso se transforme em um desastre é oferecer algo significativo ao Brasil, existem formas potenciais de se fazer isto, mas elas exigiriam muita criatividade". O texto explica que o Brasil "deixou claro que está aberto a um acordo antes que as novas tarifas entrem em vigor, mas as autoridades frisaram que qualquer acordo deve ser aplicado especificamente ao algodão".
Autorizado pela OMC a aumentar o valor cobrado sobre os produtos norte-americanos em cerca de US$ 560 milhões, o Brasil elaborou uma lista que inclui frutas, balas, óleos, medicamentos, produtos de beleza, tapetes e até mesmo automóveis. Alguns destes itens terão o imposto cobrado aumentado de 4% para 14% ou até mesmo de 6% para 100%, como é o caso do algodão, a faísca que iniciou as retaliações.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, está em visita oficial a Brasília, onde participa de negociações no Itamaraty. Locke veio acompanhado de uma comitiva norte-americana que traz tamb´pem o vice-assessor de Segurança Nacional para questões relativas à economia internacional, Michael Froman. A reunião incuiu a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, além dos presidentes do Forum em cada um dos países: Tim Solso (EUA) e José Gomes da Silva (Brasil). Com informações da Agência Estado.
Fonte: Jornal do Comércio
0 comentários:
Postar um comentário