Maior acesso a crédito e promoções ligadas à redução do IPI de alguns segmentos econômicos podem explicar o endividamento das famílias gaúchas no mês de março. Ao menos 74% das famílias se dizem endividadas, crescimento de seis pontos percentuais frente ao mês de fevereiro. Os dados fazem parte da Peif (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias), realizada no Rio Grande do Sul pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgada na manhã desta terça-feira (23) pela Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS (Fecomércio-RS).
O endividamento, contudo, não pode ser percebido como algo negativo, uma vez que a maior parte dos gaúchos afirmou que não deverá ter contas em atraso ou mesmo a falta de pagamento. Somente 7% disseram que não terão chances de pagar os débitos, dado menor do que aquele apontado em fevereiro, quando a porcentagem ficou em 11%.
O economista da Fecomércio-RS Pedro Ramos afirma que os dados da pesquisa não sinalizam que haja uma deterioração da renda das famílias em razão do endividamento, mas sim um maior acesso ao crédito. “As famílias indicaram que irão pagar suas contas em dia. Também se compararmos com fevereiro, em que houve um endividamento em razão das necessidades do começo de ano, sabemos que a partir dos próximos meses isso tende a normalizar”, comenta Ramos.
Em relação ao nível de endividamento, em que os entrevistados foram questionados a pensar na sua renda mensal e de sua família em relação ao quanto está comprometida com dívidas como cheque pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoal, prestações de carro e seguros, a maioria se percebe como mais ou menos endividada (44,4%), seguida por aqueles que dizem estar pouco endividados (28,2%), pelos que afirmam não ter dívidas desse tipo (17,1%) e da minoria que se encontra muito endividada (9,4%).
Para Ramos, os empreendedores podem ler essas informações analisando que o que se percebe é uma tendência para queda na inadimplência e ainda uma maior possibilidade de compras por parte das famílias. No topo do ranking de dívidas aparece o cartão de crédito, responsável por 68,5% das respostas dos consumidores entrevistados. O cartão é seguido pelas dívidas com carnês (52,9%), cheque especial (24,3%), crédito pessoal (18,8%) e cheque pré-datado (12,9%). Contudo, o economista Pedro Ramos explica que o cartão não deve ser visto como vilão do endividamento, pois sua função atual tem sido a de substituir o uso do dinheiro. “Ele agrega algumas vantagens, como a facilidade de pagamento”, avalia Ramos.
Fonte: Jornal do Comércio
0 comentários:
Postar um comentário